Ali se encontrava sentado no calçamento, com um objeto branco em sua mão, vestia na parte superior dois tipos de tecidos, um aparentando ser fino, e um outro por cima deste mais grosso e mais escuro, na parte inferior um tecido que cobria toda esta parte, porem sua cor era um azul meio desgastado, e aos pés um protetor branco também desgastado, sobre sua cabeça um longo pelo preto meio brilhoso, negros e enrolados como uma noite sem brilho. A cor de sua pele não dava para identificar, se era morena ou negra, pois havia uma crosta de poeira preta sobre sua pele na qual forjava a sua verdadeira cor.
Tinha um odor muito forte, como uma mistura de azedo com coisas estragadas onde pairava ao seu redor e ia muito longe, comunicava-se com dialetos que alternavam em desconhecidos e conhecidos, como viesse de um outro tempo, dialogava com o espaço, como se ali estivesse alguém ou um grupo de pessoas e dizia:
_ Temos que fazer assim.
_ Você esta errado.
_ Eu sou o que veio... .
_ Minha conta dá muito mais.
Também no vazio, havia ali junto a ele talvez um outro ser, abstrato na qual não se dava para descrever, e que exaltado às vezes falava:
_Fica ai... .
_Eu vou te prende.
_Seu..., Sai, vai deitar.
_Vai embora.
Até que, com uma corrente ou coleira imaginaria prendera tal coisa.
Passou a rabiscar o chão, dentro de um quadrado já feito por ele, e que continha símbolos em forma de letras e números, e em uma língua diferente que não entendi, dialogou novamente com o vazio e logo após rabiscou números como quem ira fazer uma equação. Exaltando-se novamente com o que parecia um ser vivo, porem abstrato resmungou:
_Fica quieto.
_Eu vou te bater.
E fazendo movimento como quem vai pegar numa coleira, e logo após vindo a chacoalhá-la gritando:
_Eu lhe disse... .
_(linguagem não compreendida).*
_(linguagem não compreendida)* seu filho da... .
E assim foi numa rotina até o tempo que fiquei observando-o, naquela tarde quente numa rua movimentada de São Paulo.
